16 de setembro de 2010

Por Fernanda Young


Nossa, há quanto tempo... Como vão as coisas no seu pequeno planeta? Aqui, no meu, andam imensamente estranhas – muito baobá para pouca flor, se é que você entende meus simbolismos. Quem sempre fala de você é aquela ex-miss que vivia chorando por sua causa, lembra? Ela me contou da sua amizade com a Raposa.

Príncipe, como você é meu amigo de infância, não posso deixar de alertá-lo. Cuidado com a Raposa. Ela parece uma coisa, mas é outra. Faz-se de fofa e é uma cobra, uma chantagista.

Quando a conheci, ela disse que não podia conversar comigo, pois não sabia quem eu era. “A gente só conhece bem as coisas que cativou”, ela falou, toda insinuante. Respondi que, se nós duas nos cativássemos, ela ficaria triste quando eu fosse embora. Foi quando saquei que ela queria ter um cacho comigo, pois a Raposa pegou no meu cabelo – eu estava loira na época – e disse que tudo bem, porque ela olharia os campos de trigo e se lembraria de mim.

Marcamos um encontro para o dia seguinte, às 4. E ela me pediu para chegar às 4 em ponto, dessa forma ela ficaria feliz desde as 3 somente por esperar o momento do nosso encontro. Achei estranho, mas pensei que fosse charme. Não era.Cheguei 15 minutos atrasada e a Raposa surtou. Falou que nós somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos. E perguntou para mim, olhando diretamente nos meus olhos, se eu tinha consciência de que “perder tempo” com o outro é o que faz essa história importante.

Percebeu o tom de chantagem? Ela joga na cara tudo o que faz em nome do outro. Ela deseja afeto, mas o quer como uma responsabilidade de mão única. Porém, também somos responsáveis quando nos deixamos cativar – relacionamentos são vias de mão dupla.

A Raposa exige a certeza de um compromisso com hora marcada, impondo regras à troca afetiva. As regras dela, claro, já que ela quer todo o afeto a favor de seu bem-estar. Chega a ponto de dizer que será feliz porque você virá. Como se a felicidade fosse algo condicionado ao outro, à espera do outro, ao encontro com o outro.

Veja que coisa infantil. São as crianças que precisam de horários certinhos e de associar suas emoções às pessoas com quem se relacionam. Sentindo prazer ou desprazer diante da ausência ou presença da mãe ou do pai ou de quem quer que seja. Na criança, ainda não há um universo interior, entendeu? Quando nós crescemos, temos de conseguir ver o mundo através das próprias perspectivas. Enxergar a beleza de um trigal sem nos lembrar de ninguém.

A Raposa, como uma criança assustada, quer que aqueles que a amam estejam com ela na hora em que ela deseja. Achando que eles são “responsáveis” pela felicidade dela. Ou seja, o outro lhe deve algo por tê-la cativado.

Desde esse dia, não falo mais com ela. E aconselho você a fazer o mesmo. Ela não é flor que se cheire.

Saudades distantes,

3 de setembro de 2010

ela: - tenho medo de te querer, depois querer de novo, depois de novo, e de novo...

ele: - vamos querer um querer de cada vez!

ela: - eu não sei querer um querer de cada vez, eu quero todos os quereres ao mesmo tempo...




[e quero muito]

1 de setembro de 2010

para o mês de agosto.

No inicio era só desejo.

Desejo no pêlo cor de ouro.

Apenas um desejo.



Depois vieram chuvas.

Duas formas de chuvas.

Respectivos trovões com sons ensurdecedores

Não se podia ouvir o pedido de socorro.

Partiram-se em dois.



Ao som de um acordeom

Feito um pedido em forma de declaração

Palavras que caíram de uma boca marrom

Um aceno de cabeça

Sutil recusa

Palavras dissipadas

Dividiu-se em três.



Descobriu-se a confiança

Palavras e tempo necessários

Segredos de liquidificador entre lábios selados

O desejo da carne que fala

Perola negra se emaranhando nas curvas brancas

O branco da paz

Mutua paz...



Com a cumplicidade de um céu estrelado

Com a presença das próprias estrelas entre paredes

Foi-se consumado o mais puro desejo

O desejo do pêlo

Do pêlo cor de ouro, o pêlo de cor dourada.

O poder da disritmia...

26 de agosto de 2010

eu

Encontro-me em mais um momento de metamorfose. Saiu de um extremo de felicidade para outro completamente oposto. Não acostumo com a solidão. Mesmo que essa seja minha realidade constante. Escuto o conselho de quem insiste em doar-me, sem que eu queira, mais não entendem que por mais que falem não seguirei o que os outros dizem, sigo minha cabeça e ela sempre será “meu guia”. E mais do que qualquer outra coisa eu sigo meu CORAÇÃO e VONTADES. Quando digo hoje que não estou feliz toda conta e risco é minha, todos os meus sentimentos são consequências de minhas ações, até mesmo minha atual solidão, e como diz aquela música clichê mais que cabe muito bem na situação “se chorei ou se sofri o importante é que emoções eu vivi”. O que me dói é essa sensação de declínio, de queda, de espaço vazio, e isso dói muito. É como se estivesse sendo mutilada, ou como me arrancassem o coração com ele ainda pulsando... “é uma dor que dói no peito”. E como dói... dói dilacerando as vísceras do meu interior, dor que nenhum analgésico dissiparia. É a falta de um abraço, de um carinho no fim da noite, de um sorriso perdido em qualquer corredor, de um apoio as coisas sem sentido, de uma mão afagando os cachos despenteados...

Não adianta quererem me mudar, me conheceram assim, sou exagerada, sou extremo, sou intimo, e mais do que tudo: SOU AMOR. Sem amor eu não vivo, sem amor eu não sou ninguém, sem amor não tem sentido, POR QUE EU ACREDITO NO AMOR E EM QUALQUER FORMA DE AMAR. E eu preciso de amor...

“e essa tempestade um dia acabar, quando a chuva passar, quando o tempo se abrir abra a janela e veja eu sou o sol.”

6 de julho de 2010

.:. Do dia em que se vê sorrisos .:.

Estou vivendo uma das maiores experiências de minha vida, a mais louca de todas. Quando penso que já vivi de tudo sou surpreendida de alguma forma, eu que sempre fugi de sensações desconhecidas, me surpreendo desejando o que não conheço. É como se mordesse um chocolate e ao notar, ter nele, como recheio, o arder da pimenta, mais você não consegue parar de morder porque aquele sabor, mesmo sendo forte, é surpreendente e inovador, você quer provar até o fim.

Depois de todos aqueles logos dias de sofrimento hoje me sinto livre para viver isso tudo, consigo lembrar-me do que passou sem lágrimas nos olhos, sem dor no coração, sem rancor na mente. Ninguém sabe, nem conseguiria sentir, como me sinto aliviada ao vê-lo e sentir que nenhum tipo de sentimento manifesta-se, nem o da saudade. E mesmo quando bate saudade, ou que não seja saudade, só lembranças do que passou, não sofro, dou risada de tudo aquilo, e lembro do que um dia uma grande amiga minha falou “ você um dia vai me chamar pra dá risada disso tudo”, pois é, você pode não está aqui do meu lado nessa noite, mesmo assim estou dando risada sim, não só daquilo mais de muitas outras coisas. Dou risada inclusive de quando você me dizia “O TEMPO É O SENHOR DA RAZÃO, NÃO EXISTE NENHUM SOFRIMENTO QUE O TEMPO NÃO APAGUE”, e eu chorava cada vez mais achando que você estava enganada e que todo aquele amor me sufocaria até a morte. Pois é, não morri! Ao contrário, estou VIVA! E sinto isso da forma mais forte e intensa que alguém poderia sentir. NÃO EXISTE NADA MELHOR DO QUE ESSA SENSAÇÃO, A DE VIVER! Mesmo assim não me arrependo de nenhum sofrimento, se eu não tivesse sofrido não estaria me sentindo tão bem. Só depois de algumas lágrimas é que sabemos o verdadeiro valor do sorriso. É MUITO BOM SORRIR DE NOVO. Aquele amor? Está aqui, em algum lugar...